Comércio popular campineiro
Frente ao desemprego, um número cada vez maior de pessoas recorre ao comércio ilegal a fim de garantir o seu sustento
Por Thais Ferreira
Colaboradores: Dinoê Urbano e Gustavo Freitas
Quem frequenta a região que se estende do Terminal Central até o Mercado Municipal, no centro de Campinas, certamente já se deparou com as inúmeras bancas de camelôs espalhadas pela área. Ali, os interessados podem encontrar produtos como relógios, óculos, CDs, DVDs, roupas e uma infinidade de outros artigos. São cerca de mil barracas, segundo estimativas da própria prefeitura, através das quais os responsáveis chegam a ter um faturamento de R$ 3 mil por mês ou mais.
O motorista de caminhão Nelson Theodoro de Oliveira, de 42 anos, compra habitualmente mercadorias de camelôs. Segundo ele, é a própria população quem alimenta este comércio ilegal, à procura de produtos mais baratos, mesmo que sejam falsificados. “Apenas a minoria das pessoas possuem poder aquisitivo para comprar produtos luxuosos e de marcas originais, o restante tem de se contentar com estes pirateados, de qualidade inferior”, declara o comprador.
Dentre inúmeros produtos comercializados, há até mesmo remédios, que são vendidos sem nenhuma prescrição médica, o que pode acarretar sérios riscos à saúde de quem os compra. A maioria das mercadorias é falsificada, sendo importadas de países vizinhos, em especial Paraguai e Argentina, sem qualidade nem inspeção de órgãos reguladores. As viagens podem ser realizadas pelos próprios vendedores ou, como acontece com freqüência, por terceiros que se incumbem de fazer as compras e transportá-las até os camelôs. “A maior parte das coisas que vendo vêm de São Paulo. Toda semana chega um caminhão em minha casa, trazendo as mercadorias. Na verdade, eu desconheço a origem desses produtos. Apenas os compro e revendo”, revela Dalmo Pereira, camelô há seis anos na cidade.
A venda de produtos piratas traz prejuízos não apenas às indústrias, que fabricam os originais, e aos artistas (no caso de CDs e DVDs), que não recebem seus direitos autorais, mas também aos governos, que não têm como cobrar deles seus impostos.
No entanto, atualmente, algumas prefeituras estão tentando legalizar a situação dos camelôs, como faz a cidade de Campinas, onde existe um espaço reservado a eles, conhecido como camelódromo. “No início fazíamos tudo na ilegalidade, corríamos de fiscais etc. Agora, o comércio popular de Campinas passou a ser mais organizado. Fomos separados em boxes e somos obrigados a pagar uma taxa à prefeitura todo mês”, afirma Dalmo.
Apesar disto, alguns desses vendedores ambulantes, mesmo lhes sendo oferecida a oportunidade de legalizar suas atividades, recusam-se, preferindo trabalhar na clandestinidade, pelo fato de não terem de pagar as taxas e impostos cobrados, e não ficarem limitados a pontos predeterminados pelos órgãos públicos.
Existe grande preconceito e discriminação por parte da população mais conscientizada em relação à atividade dos camelôs. No entanto, eles representam o “termômetro” da falta de emprego no país. “Eu não gosto do que faço. Sei que não é a maneira mais certa de ganhar dinheiro, mas é assim que consigo sustento para mim e minha família. Tenho esposa e dois filhos para criar”, diz o comerciante.
Para os ambulantes, tanto na cidade de Campinas como em qualquer outro grande centro comercial, a política governamental deveria passar a investir mais na educação, formação de bons profissionais e geração de empregos, para que dessa maneira não haja a necessidade de que as pessoas recorram a outras ocupações, improvisadas e não reconhecidas, para conseguirem se sustentar e sobreviver.

Achei muito interessante a matéria.
Toninho Ferreira
3 03UTC março 03UTC 2011 em 22:41