Problemas no Enem 2009 frustram estudantes e educadores
Apesar de se apresentar como uma solução inicial para os problemas educacionais no Brasil, o Enem se mostra falho e afeta muitas pessoas
Por Elisabeth de Lima
A nova estrutura do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seria realizado nos dias 04 e 05 de outubro, causou expectativas em estudantes e educadores sobre um possível início da reformulação educacional no Brasil, sendo a principal perspectiva, a possibilidade da utilização da prova para o ingresso em instituições de ensino superior, marcadamente as universidades públicas. Para a decepção dos interessados, não foi o que aconteceu.
Três dias antes do exame, o Ministério da Educação (MEC) confirmou o vazamento de conteúdo da prova e a adiou para os dias 5 e 6 de dezembro. Os custos com a impressão do primeiro exemplar da prova chegaram a 30 milhões de reais, segundo o ministro da educação Fernando Haddad, em uma entrevista coletiva em Brasília. Esse episódio gerou uma grande repercussão nacional, e o MEC teve de tomar algumas medidas para amenizar o problema, entre elas oferecer o ressarcimento aos estudantes que desistissem de realizar a prova. O Ministério tentou também entrar em contato com as principias instituições de ensino superior para ajustarem seus calendários com o do Enem. Grande parte delas acatou o pedido.
Ainda assim, algumas universidades do País decidiram não utilizar a nota do Enem como bônus em sua primeira fase, entre elas, duas das mais importantes a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de São Paulo. A alegação da Unicamp é que, devido a regras do edital, o prazo de disponibilização das notas não pode ser postergado. Muitos vestibulandos têm demonstrado uma certa preocupação em relação a não-utilização do Enem. O estudante Alexandre Formoso Delsin, 18, que irá prestar Engenharia Química e desistiu de fazer o Enem, acredita que seu ingresso na faculdade será dificultado. “O cursinho pré-vestibular em que estudo dedicou muitas aulas para o Enem este ano. Eu me sinto prejudicado por ter perdido muitas horas de estudo em uma prova que não irá me acrescentar mais nada”, afirma Alexandre, que prestará apenas o vestibular na Unicamp.
O caso do estudante não é isolado, já que outros alunos também desistiram da prova, mas o número exato ainda não foi divulgado pelo MEC. Originalmente cerca de 4,1 milhões de candidatos iriam realizar a prova.
Renato Pedrosa, coordenador da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) afirma que os estudantes não precisam ficar apreensivos. “Um estudo que fizemos acompanhando os resultados do vestibular da Unicamp e o papel do Enem, nos últimos quatro anos, mostra que não há nenhum grupo, seja de escola pública, ou de renda, beneficiado ou prejudicado pela ausência da nota do Enem”, afirma. Pedrosa ainda diz que em um ano anterior houve um adiamento do exame, o que não chegou a afetar na utilização da nota.
Para o professor Marcelo Lavoura Carvalho, que dá aulas de biologia e matemática na rede pública de ensino, o Enem está sendo, para esse tipo de escolas, uma disputa por investimento financeiro. “A grande maioria dos meus alunos não prestará vestibular, mas a escola insiste para que façam o Enem, isso porque as escolas com melhor aproveitamento na prova receberão uma verba extra do governo. Os alunos não serão beneficiados em nada”, afirma.
Mesmo sob muitas críticas e falhas, com sua nova estrutura e a resolução dessas questões, espera-se que a partir de 2010 a prova inicie o processo de reformulação educacional. Um avanço que promete chacoalhar a elitista estrutura dos vestibulares no Brasil.

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ENEM, nem o caso de domingo nem o do ano passado foram suficientes. « O Eterno Aprendiz
11 11UTC novembro 11UTC 2010 em 12:59